Contraponto de seu primo alegre e otimista, Supergirl chega às telas em uma versão desacreditada e relatável aos espectadores. Interpretada pela australiana Milly Alcock, a heroína viaja por planetas distópicos e enfrenta misoginia intergaláctica, luto e a dificuldade de se identificar como uma pessoa benevolente. No entanto, a tentativa do longa de abordar temas profundos falha ao tentar manter a sua classificação indicativa de acordo com os padrões exigidos pelo gênero de super heróis.

Em um “mochilão” espacial, Kara Zor-El (Milly Alcock), a Supergirl, junta forças com Ruthye (Eve Ridley), uma menina que busca vingança do mercenário responsável por sua tragédia familiar. Juntas, as protagonistas enfrentam uma organização criminosa que assola planetas subdesenvolvidos e fazem as pazes com o próprio luto.
Novas caras
A apresentação da nova Supergirl, por meio da interpretação de Milly Alcock, aparece como o ponto alto do longa que dá continuidade ao universo DC. A atriz é capaz de mostrar uma versão moderna da personagem, que possui poucas aparições na telonas, e reflete a psique de uma jovem super poderosa mas que, no fundo, ainda se sente como uma pessoa comum.
São os altos e baixos que constroem a protagonista, que enfrenta diversos tipos de atmosfera e as limitações de sua biologia kriptoniana. Ao fim, Milly se consolida como uma versão icônica da Supergirl e deve continuar a ser lembrada ao decorrer dos novos filmes de quadrinhos de super heróis.
A garota companheira de tela, interpretada por Eve Ridley, surge como uma escada para a evolução da protagonista central do filme. A garota, determinada à vingar a morte de sua família, fica perdida em meio ao tema de exploração espacial do filme, e nunca recebe a profundidade emocional da qual merecia pelo seu passado trágico.
Também é destaque a nova versão do anti-herói Lobo, interpretado por Jason Momoa. No entanto, parece apenas mais um personagem “easter-egg” do gênero. A ambientação do longa, infelizmente, não favorece a sua atuação. O mundo que poderia ter seguido diversos caminhos narrativos, abraçando imagens mais sórdidas, ou fantásticas, ou até mesmo absurdas, fica no básico de filme Marvel no espaço, e parece uma cópia tardia da série Guardiões da Galáxia — ironicamente envolvido como o idealizador do novo universo DC.
Ao fim, fica um gostinho de “quero mais”. É um filme mal aproveitado, mas que não falha em divertir. A lição clara que fica é: não devemos esquecer das características que levaram o filme anterior, Superman, ao debate público. A psicodelia e o absurdismo em doses moderadas, palatável a todos.
O repórter assistiu ao filme à convite do Espaço Z


