NOTA: 7/10
Após reviver a franquia “Evil Dead”, o diretor e roteirista Lee Cronin retorna às telonas com mais uma adaptação de uma das histórias mais famosas do cinema em “A Maldição da Múmia”. Misturando tensão com horror corporal, o cineasta reafirma seu potencial ao fugir dos filmes genéricos de monstro, entregando um verdadeiro banquete de referências ao terror dos anos 1980.
Chegado aos cinemas na quinta-feira (16), o longa acompanha a família Cannon, cuja filha, Katie, é raptada no Egito e, oito anos depois, reencontrada presa em uma tumba, completamente mumificada. Logo, os pais, Charlie e Larissa, percebem que Katie já não é a mesma garota.
Cronin bebe de influências de grandes nomes do terror — e do cinema como um todo — como Sam Raimi, David Cronenberg e Brian De Palma. Ao combinar terror, comédia, tensão e horror corporal, ele mantém esses elementos em harmonia, sem jamais perder a essência da história que propõe desde o início.
Em vez de seguir o padrão dos filmes de monstro que dominam Hollywood, o diretor aposta na construção de tensão e mistério, abrindo mão do jumpscare barato. Como observa o professor de estética e cinema Alexandre Linck, “é fácil assustar quando tudo que seu filme apresenta é jumpscare”.
Logo na abertura, ao iniciar com uma cena bem-humorada que rapidamente se transforma em desconforto, Cronin estabelece sua principal regra: nada de bom irá durar por muito tempo. A partir dessa manipulação, o filme se embriaga da própria tensão que constrói, preparando cuidadosamente o terreno para seus momentos de impacto.
A partir desse controle narrativo, o diretor se permite explorar outras camadas temáticas e desenvolver seus personagens sem abandonar o terror intrínseco da narrativa. O que se vê é o esfarelamento de uma família já fragilizada, não apenas pelo elemento sobrenatural, mas também por decisões mal resolvidas e mágoas acumuladas.
Com isso, o longa se descola de sua ambientação sombria e dialoga diretamente com a realidade: famílias desgastadas pelo trabalho, por relações interpessoais complexas e por questões psicológicas. Ainda assim, essas camadas não sobrepõem a trama principal — funcionam como complemento à história da múmia.
O título original, “Lee Cronin’s The Mummy”, remete a uma estratégia popularizada por John Carpenter, outra fonte da qual o diretor bebe, no final dos anos 1980 e início dos 1990, quando o nome do diretor funcionava como principal atrativo comercial. Nesse sentido, fica evidente a confiança da Warner no cineasta irlandês de 44 anos.
E, de certa forma, os protagonistas do filme estão no próprio título: Lee Cronin e a Múmia — para o bem e para o mal. Isso porque, se o diretor demonstra total domínio ao longo do primeiro e do segundo ato, o terceiro desmorona em praticamente todos os aspectos.
Na tentativa de explicar tudo o que construiu, e não é pouco. Cronin sobrecarrega o ato final com uma sequência de explicações que se estendem além do necessário. O resultado é uma conclusão inchada, que conduz os personagens a uma resolução pouco convincente e excessivamente dependente da boa vontade do espectador.
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