"O Fim da Rua" explora as dificuldades de uma família em crise
O longa estreia nesta quinta-feira (13), dirigido e roteirizado por David Robert Mitchell e estrelado por Anne Hathaway e Ewan McGregor
CRÍTICA
Caio Aquino
8/13/20262 min read
Após se destacar no terror com "It Follows" e passar por fora do radar com o noir diurno "Under The Silver Lake", o diretor David Robert Mitchell faz uma homenagem a seu pai em um olhar intimista sobre uma família que desafia o tradicionalismo americano nos anos 80 em "No Fim da Rua".
A ficção científica conta a história dessa família, estrelada por Ewan McGregor e Anne Hathaway, no momento em que começam a notar acontecimentos bizarros em sua vizinhança.
O interessante é que, além de o diretor explorar a crise interna, ele apresenta uma crise diante da família ideal estadunidense conservadora da época. Aqui, o pai não consegue ser o provedor, a mãe não se contenta com a vida doméstica, a filha desafia as crenças da época, enquanto o filho passa pela puberdade e começa a explorar as partes perigosas da vida.
Justamente essa subversão de valores é a linha que define as atitudes dos personagens ao longo do filme e seus desenvolvimentos.
Robert Mitchell traz de bagagem de suas produções anteriores um forte conhecimento de como causar estranheza e mistério através de sua lente. A construção dos planos colabora para criar tensão muito antes de o roteiro nos introduzir a isso. Ele conduz visualmente o telespectador a sentir desconforto e agonia para contribuir com os momentos em que as revelações aparecem, fazendo com que a cena tenha ainda mais peso.
Tendo também roteirizado o filme, ele entende desde o começo como utilizar sua escrita inteligente ao lado de sua filmagem hitchcockiana. Em nenhum momento ele subestima o telespectador e facilmente nos envolve em uma família que tenta se manter unida em meio a uma crise científica.
A relação deste longa com os blockbusters dos anos 80 é perceptível. Em uma homenagem a seu pai, Robert explora os elementos de sua infância que o fizeram se apaixonar pelo cinema em meio à relação com sua família. Possivelmente, este longa funciona como uma espécie de "Fabelmans" para ele, sendo uma história fictícia/autobiográfica.
Estes elementos podem ser vistos nas crianças de bicicleta, tal como em "E.T.", e depois explorando sua puberdade como em "Stand by Me", que inclusive é referenciado novamente no longa mais uma vez. A filmagem e o estilo de Hitchcock, que já são uma marca do diretor há um tempo, e o roteiro inspirado nas histórias fantásticas de Spielberg. Os ídolos de Robert Mitchell estão espalhados pelo filme, se souber procurar.
Segundo Plano
Jornalismo cultural factual sobre cinema, festivais e a indústria audiovisual.
Início-Notícias-Sobre-Contato
Redação
Comunicacao.segundoplano@gmail.com
Brasília - DF
© 2026 Segundo Plano-Análises críticas, cobertura de festivais e dados do mercado de exibição.
Jornalismo
