NOTA: 2/10
“Michael” transforma uma das figuras mais complexas da cultura pop em um produto sem conflito algum. O filme abandona qualquer ambiguidade para retratar Michael Jackson como um ser absolutamente puro, incapaz de falhas, sempre altruísta e guiado por uma inocência quase infantil. Em vez de biografia, o que se constrói é uma narrativa promocional de duas horas, intercalada por clipes musicais.
O longa frequentemente interrompe seu próprio fluxo “dramático” para inserir “spin offs” isolados, como a insistente associação com Peter Pan ou a abordagem sem qualquer importância de sua rinoplastia, sem profundidade nenhuma. São momentos em que o filme parece parar tudo o que está acontecendo para querer te contar alguma coisa que não foi possível ser dita durante o roteiro original.
Personagens centrais na trajetória do artista são reduzidos a funções decorativas. Os membros do Jackson 5 mal possuem fala, enquanto Quincy Jones aparece como se fosse apenas o amigo gente boa do Michael.
Existe um momento de “coach” do próprio Michael Jackson que é extremamente constrangedor, ele abaixa a cabeça e diz pra si mesmo “eu sou o melhor de todos os tempos”, e voltar a cantar enquanto os fãs vão a loucura da forma mais forçada possível.
A cenas dos grandes shows e momentos épicos do filme são mal filmadas e contam com uma platéia que parece que foi feita com um prompt do chat gpt.
O filme, porém, não deixa de arrepiar em alguns momentos única e exclusivamente pelas músicas do Michael, mas o longa tenta a todo momento diminuir a obra do Michael quando faz uma obra tão chapa branca e mal feito quanto esse.
Com muitas cenas constrangedoras e tentativas de replicar um realismo barato para criar edits no Tik Tok, a única coisa que se salva são as músicas do Michael que podem ser escutadas em qualquer streaming de áudio.
O jornalista assistiu a convite da Espaço/Z


